18 de agosto de 2017

Já não há visita em Vermoil?


Estava tudo convidado para a inauguração visita às instalações do novo Pólo Escolar de Vermoil, marcada para amanhã, quando esta tarde fomos surpreendidos com o cancelamento do evento. Ora, como no facebook do Farpas, esta semana, alguém lembrava que poderia a Junta local estar a incorrer no mesmo tipo de irregularidade que a Câmara, no caso do Louriçal, resta-nos saber se a CNE tem alguma coisa a ver com isto. Das duas uma: ou  a Junta recebeu indicações expressas para não fazer (correndo o risco de ser confundido com aproveitamento e propaganda) ou fica-se pela bênção em modo recatado. First ist First.

Aprender com Arouca

Movido pela curiosidade paisagística e técnico-política visitei os Passadiços do Paiva, no feriado.
As belezas do local suplantaram as melhores expectativas e merecem nova visita, no inverno, para ver o rio correr bravo naquela garganta formada por encostas ingremes de rochedos, e as quedas vertiginosas das cascatas, os sons e aromas dessa época do ano. 
O sucesso e a sustentabilidade do projecto entram pelos olhos dentro: fez de Arouca uma atracção turística durante todo o ano, é economicamente sustentável, tem impacto mínimo na Natureza (as visitas estão limitadas a 2500 pessoas por dia), é revertível (facilmente removível e não deixa mazelas na Natureza).

Mais uma vez se comprova que o sucesso de uma terra depende, acima de tudo, de meia dúzia de boas ideias e da capacidade de as colocar em prática; e não de projectos irrealistas (megalómanos), que não agregam valor e (só) sugam recursos. Arouca é um pequeno concelho rural, no interior norte do país, com 22.000 habitantes, com parcos recursos e fracas acessibilidades, mas atrai mais turistas num mês do que Pombal no ano inteiro. Arouca tem - tal como Pombal - uma serra na rede Natura 2000, que preserva e valorizou com os Passadiços do Paiva. Pombal despreza a sua, deixa-a ao abandono e desqualifica-a com o elefante-branco CIMU-Sicó.

17 de agosto de 2017

Religião e Política

A promiscuidade entre a política e a religião é um traço característico das comunidades atrasadas.
Em Pombal, a política e a religião é um submundo viscoso, pernicioso e vicioso; onde favor compra favor ou favor paga favor.
Há uns meses atrás a câmara atribuiu um subsídio à comissão fabriqueira de Abiúl - Ramalhais.
No próximo fim-de-semana, realizam-se as Festas em de Nossa Senhora da Conceição, no Ramalhais.
A comissão fabriqueira incluiu no programa das festas - em pleno cartaz - a presença presidente da câmara e da presidente da junta.
O presidente da câmara e a presidente da junta acordaram, com certeza, a presença no convívio e farão, com certeza, também, os discursos aos crentes onde anunciarão mais umas prebendas.

E assim prosseguirá, na paz dos anjos, o círculo vicioso.

16 de agosto de 2017

Farpas no top

Anteontem, o Farpas (blog) atingiu o recorde de 6918 visualizações num só dia (foi visto por 6918 IP`s diferentes – por muito mais pessoas porque só conta uma visualização por IP). No facebook, no mesmo dia, o post mais visto atingiu 9282 visualizações
O recorde de visualizações coincidiu com a publicação de dois posts sobre o Louriçal.
Somos cada vez mais lidos, e não é só na cidade… 
Estamos em máximos, e com tendência de subida!

14 de agosto de 2017

Afinal, há oposição

A descarada acção de campanha de apresentação das Obras de Construção do Centro Cultural e do Mercado do Peixe do Louriçal, agendada pela Câmara Municipal de Pombal (CMP) e Junta de Freguesia do Louriçal (JFL), deliberadamente para o dia 14 de Agosto, pelas 18h 30 min, dentro do período de campanha (e das festas locais), foi CANCELADA.
A CMP e a JFL foram obrigadas a cancelar o evento porque a Comissão Nacional de Eleições, na sequência de uma queixa apresentada pelo Bloco de Esquerda, considerou que o evento violava a lei eleitoral.
Haja alguém com coragem para por alguma ordem no regabofe que é utilização de recursos públicos para campanha eleitoral.

13 de agosto de 2017

A privatização das festas do Louriçal


A organização das festas do Louriçal (a cargo de uma espécie de associação criada para o efeito pelo magnata António Calvete) tem vindo a progredir a passos largos na transformação das festas num evento privado, com o apoio da Junta e da Câmara (que contribui com dinheiro nosso para aquilo). Este ano a comissão deu um passo maior na prossecução desse objectivo, ao vedar por completo as festividades. Por exemplo, quem quer ir jantar às tasquinhas (a cargo de colectividades que usam o voluntariado dos seus dirigentes e sócios para servir às mesas e ainda pagam uma bela factura à organização) tem de pagar primeiro o respectivo ingresso (por 4 ou 8 euros por dia, conforme o artista) para poder entrar no recinto. O mesmo acontece com quem ir levar as crianças aos carrosséis, comprar uma fartura ou algodão doce. Nem se percebe por que razão foram as ruas enfeitadas, pois que as despiram de festa, privando o povo de a viver.
Para cereja do bolo, resta dizer que, até hoje, nos últimos quatro anos, ninguém prestou contas de qualquer edição das festas. Calvete diverte-se com os amigos nos bares, os políticos desfilam por lá no dia da inauguração, e enchem as mesas ao jantar. Neste domingo, havia espaço livre à hora de almoço nas tasquinhas, e ruas desertas na vila. Talvez a esta hora o presidente José Manuel Marques já tenha percebido que não há almoços grátis. Ou não.

12 de agosto de 2017

As festas&arraiais vão decidir as eleições


Como os candidatos se limitam a explorar a exposição pública nas festas&arraiais, aposto cruzado contra vintém que as festas&arraiais vão decidir as próximas eleições (quem mais participar nas festas&arraiais mais votos terá, e vice-versa).

11 de agosto de 2017

Onde se dá conta da conversa (azeda) do Príncipe com o Pança

O Príncipe, depois de mais uma noite mal dormida, apresentou-se abespinhado no trono. Ao passar pela donzela do serviço ordenou-lhe que chamasse o Pança; ao que a ela respondeu:
- O Pança está de férias, Alteza.
- O Pança não tem direito a férias. Mande-o vir, e rápido… - ordenou o Príncipe.
- Vou tentar, Alteza – respondeu, com reservas, a donzela.
Mal se tinha sentado, estava ainda a digerir as reservas da donzela, e já esta se apresentava à porta para informar Sua Alteza que o Pança estava a banhos no Sul…
- Ligai-lhe, e passai-mo…- ordenou o Príncipe.
- Assim farei, Alteza – retorquiu a donzela.
Daí a pouco estava a donzela a informar que tinha o Pança em linha. O Príncipe atendeu, e começou inquirindo:
- Por onde andas Pança? Porque vos ausentastes neste momento crítico?
Ao que o Pança respondeu, seguro: - estou de férias, Alteza! Também mereço…
- Um escudeiro, fiel e próximo, não tem direito a férias – deve estar sempre disponível para o seu Amo. Fizeste de propósito, malandro? Perguntou o Príncipe em tom provocatório.
- Credo, Alteza! Não sejais assim comigo... Eu dedico o dever, assim como a alma, primeiro a Deus, depois a Vossa Alteza – afirmou, condoído, o Pança. E acrescentou: mas também preciso de uns dias de bom-passadio com a família...
- Ausentastes-vos e deixastes-me sozinho no período mais crítico – afirmou o Príncipe.
- É por pouco tempo, Alteza – contrapôs o Pança. E o Senhor não está sozinho: tem a sua equipa, os mandatários …
- Não me lembreis coisas tristes… – afirmou o Príncipe - Perdi a confiança nos ministros, e eles em mim; se alguma vez a houve…
- Não acredito... Tenho lido - como é minha obrigação (mesmo em ócio) - os boatos que eles inventam ou reproduzem no sítio subversivo, mas não os levei a sério. Aquilo é só para nos destabilizar. Não valorize, Alteza; o povo está sereno e controlado – é muito fiel ao partido do regime - …- contrapôs o Pança.
- Gostava de acreditar no que me dizeis, Pança; mas não posso: estamos rodeados de inimigos...- afirmou o Príncipe.
- Acreditai-me, Majestade; as coisas estão controladas: a oposição está abafada, e o Inimigo será posto na ordem no momento certo. Deixai-o aos cuidados do meu desprazer – contrapôs, novamente, o Pança.
- Não digas sandices, Pança. Como coisas estão, corro sérios riscos de ser derribado do poder por um velho tonto. Dize-me, Pança: haverá maior humilhação...? – perguntou, afirmando, o Príncipe.
- Não gosto nada de o ver tão inseguro…. É mau presságio…- referiu o Pança
- É a realidade, Pança: os inimigos estão no nosso seio. O que designas por Inimigo é só adversário, e previsível…- afirmou o Príncipe. E continuou: - preciso de ti, aqui, no terreno…Há muito trabalho sujo para fazer, e para esse tipo de trabalho não se encontra facilmente quem o saiba ou o aceite fazer.
- Esta fase é de formalidades…E o Senhor está muito bem apoiado por dois correligionários doutos em leis – afirmou o Pança.
- Enganas-te, Pança: o da propaganda já saltou fora; e no Trincaferros não posso confiar…
- O Senhor não confia em ninguém…Como é que quer que as pessoas confiem em si? – perguntou, afirmando, o Pança.
- Já falaste demais, Pança; e estais no mesmo registo dos outros… Entupíeis-me os ouvidos com palavras que de todo me são insuportáveis. Mas devíeis saber – se não o sabes, já - que te despacho mais facilmente do que aos outros. Faço-te voltar para Contador-de-notas - se eles lá te aceitarem -, e acabo-te com a vida boa …- ameaçou o Príncipe.
- Fazei o que entenderdes, Senhor; já estou, também, por tudo…Esta vida de escudeiro é muito desgraçada e pouco agradecida. E com um amo como o Senhor já vi que nunca chegarei a cavaleiro. O que eu quero mesmo é tornar-me governador do meu condado e fazer-me cavaleiro – concluiu o Pança.
                                                                                                                         Miguel Saavedra