18 de outubro de 2017

Realpolitik à D. Diogo

Renovado o poder nas urnas, D. Diogo partiu de imediato para a sua consolidação e reforço. Começou pelo condado mais acessível: Vila Cã. Usou a intermediação de um amigo comum – Carlos Cardoso (Redinha) - para se aproximar de Ana Tenente, depois de fortes desavenças. Juntaram-se num almoço que deve ter selado a união, há muito desejada pela “Independente” e há muito recusada pelo partido.
Na Redinha esboça aproximações; a Oeste espera sinais seguros de afirmação ou falhanço do novo poder para avançar.
Pelo meio vai deixando cair correligionários não submissos.   
Quem pode, pode. E D. Diogo pode muito! 

17 de outubro de 2017

Mas que falta de “chá”

Enquanto D. Diogo representava para a sua equipa de propaganda, em camisa branca e sapato-de-vela, a sua entrega no combate ao incêndio, a princesa Mafalda chamava palhaço ao Primeiro-ministro, no facebook, sem qualquer justificação.
Na declaração ao país, António Costa não desrespeitou ninguém - limitou-se a dizer o óbvio (pouco mais há para dizer, nestas circunstâncias). Todos têm o direito de criticar a declaração e a exigir outro tipo de respostas; mas não têm o direito de ofender o António Costa, nem a desrespeitar o Primeiro-ministro. Ao fazê-lo desrespeita o Estado, mostra a sua índole e a urbanidade que não tem.
É pena! Porque, como bem diz o povo: o que não vem com a idade, tarde ou nunca vem.

O salvador da Pátria


Fotos da publicação "Notícias da sua Terra"

À hora em que o Primeiro Ministro falava ao país sobre a catástrofe que nos assolou a todos, já se apagara o fogo em Nasce Água, ali ao Grou, na União de Freguesias da Guia, Ilha e Mata Mourisca. Também já se apagara o outro, que consumiu a Mata do Urso, na freguesia do Carriço, mais umas casas de habitação. Estava igualmente extinta a maioria dos fogos que tornaram o dia 15 de outubro como o mais negro da história dos incêndios neste país. E enquanto António Costa e a sua ministra ardiam com mais intensidade na fogueira das tv's e das redes sociais - por considerar que o Governo não tem uma "solução mágica"para evitar novas tragédias - Diogo Mateus era elevado à categoria de salvador, em várias páginas, pois que se deixou fotografar assim, no meio da mata, em camisa branca e mocassins, no combate às chamas. 
Costa, a solução está aqui.

14 de outubro de 2017

Pombal dos pequenitos

Respigando o que já escrevi no "O Eco" em 2003, reafirmo que a salvação das democracias ocidentais encontra-se no reforço dos partidos minoritários. Reduzir as eleições a um confronto bipolar, para além de perverso, é perigoso. Os actos eleitorais são momentos de escolha entre diversas opções políticas que devem ser exercidos em total liberdade. Os constantes apelos ao voto útil, aliados a uma menor capacidade financeira dos pequenos partidos, enviesam a decisão dos eleitores e, como consequência, muitos deixam de se rever nos seus representantes e de acreditar na democracia.

Em Pombal, forças políticas como o CDS, a CDU e, mais recentemente, o BE, têm tido dificuldade em se afirmar. O CDS, apesar do enorme empenho dos seus protagonistas, não conseguiu reforçar a sua representação. Por outro lado, a CDU, que tinha conquistado um deputado municipal em 2013 (fruto do aumento do número de representantes na Assembleia Municipal), perdeu-o agora para BE. Com uma votação ao nível do movimento Independentes por Pombal - claramente a candidatura autárquica mais mal preparada de sempre -, a CDU teve uma evidente derrota. O número de votos é preocupantemente baixo, tornando legítima a dúvida de saber se já não foi ultrapassado o ponto crítico da sobrevivência.

Como estive envolvido na candidatura da CDU, não enjeito responsabilidades. Considero mesmo que os camaradas que, tal como eu, participam nas listas sem assumir a militância são os primeiros culpados. Não se podem ganhar eleições sem o empenho de todos e a CDU em Pombal tem sobrevivido com o esforço de poucos. Mas há que reconhecer que é difícil fazer omeletes sem ovos. As estruturas partidárias, com uma castradora política de coligações, impedem, muitas vezes, o aparecimento de soluções credíveis a nível local.

Há muito que defendo uma coligação CDU/BE (para já não falar com o PS) para concorrer às eleições autárquicas em Pombal. O trabalho efectivo que a CDU tem dado à vida democrática do nosso concelho - muito para além do que era esperado pela sua fraquíssima prestação eleitoral -, aliado aos votos e ao dinamismo do BE, sobretudo junto dos mais jovens, poderia resultar numa dinâmica interessante, com forte possibilidade de sucesso e bem mais consistente do que as candidaturas protagonizadas por movimentos independentes.

12 de outubro de 2017

A acentuada agonia do PS em Pombal

Contrariamente ao que outras opiniões defendem, creio que o maior derrotado destas eleições é o Partido Socialista.
A derrota do PS é particularmente preocupante, uma vez que este partido tem responsabilidades permanentes, o que não acontece, por exemplo, com um movimento fortemente personalizado, sem base ideológica definida e perfeitamente limitado no tempo e na ambição.
Os sinais de queda deste PS de Pombal, numa altura em que o PS a nível nacional se afirma mais pujante que nunca, são obviamente uma responsabilidade local e de uma forma de fazer politica que vem de há muito, nesta estrutura. É um acumular de erros que parece não ter retorno à vista, antes se teima numa fórmula cujos resultados são inegavelmente desastrosos.
Atente-se que num concelho em que o PS tem que, legitimamente, aspirar a ser poder (como já foi), os resultados nos últimos 5 actos eleitorais autárquicos são como se vê de seguida:
A tendência é evidente, e os resultados são de tal forma pobres que creio que ninguém terá coragem de argumentar em sentido oposto nisto que é uma mera constatação de factos.
Tais resultados devem-se, na minha opinião, não aos deméritos individuais dos candidatos, para cada situação em concreto, mas a um modus operandis há muito vigente na estrutura concelhia do PS. Vários erros têm sido repetidamente cometidos, e com aparentes motivações que são contrárias não apenas aos interesses do partido, como também (e de uma forma mais geral) à saudável alternativa democrática (não confundir com alternância) que o PS devia materializar.
O primeiro desses erros passa por não assumir os vergonhosos resultados eleitorais que tem obtido o PS no concelho de Pombal. Note-se que por “assumir”, entendo o olhar para as causas que conduziram a tal, procurar alterar essas causas (ou eliminá-las), e ter por consequência lógica um afastamento da liderança das estruturas daqueles que apresentaram uma estratégia vigorosamente chumbada nas urnas.
O segundo erro decorre na forma como os derrotados, mas eleitos, do PS, desempenham as suas funções de oposição. O que transparece é que essa acção não é coordenada, não mostra diferenças (nem de estilo, nem de matéria) em relação ao poder vigente, e não revela preparar um caminho diferente que pudesse ser viável (e premiado) em eleições futuras.
Mais uma vez, a responsabilidade maior não é dos eleitos individualmente, mas de quem os devia coordenar e se abstém de o fazer.
O terceiro erro decorre da falta de estrutura interna do PS, o que transmite uma imagem difícil de ignorar de fragilidade e falta de confiança. Não há notícias de que o partido ouça os seus militantes. E que, ouvindo, estes contribuam para definir os destinos desta estrutura do PS. Não há sequer um número minimamente apresentável de militantes no concelho, numa escusa incompreensível de os procurar e pretender captar. Como se muitos militantes fossem uma ameaça a algo que não se quer revelar ou alterar.
Por fim, o quarto erro reside nas fracas escolhas para as listas que apresenta a sufrágio. Mais uma vez, não porque não sejam meritórias as pessoas que ousaram apresentar-se a votos pelas hostes socialistas, mas porque a estrutura trabalha de forma amadora e errada esse processo. As pessoas são contactadas tardiamente, quando já quase não têm tempo de explorar e apresentar as suas ideias ao eleitorado. Os elementos mais representativos da sociedade, por essa altura, já estão completamente envolvidos com outros partidos (obviamente, com o PSD). E o resultado são listas curtas e que se apresentam como muito mais anónimas do que as outras, as que ganham eleições em Pombal.
Lamentavelmente, os processos que têm conduzido a este descalabro eleitoral do PS em Pombal parecem ser irrevogáveis, e o PS parece preparar-se para o mesmo enquinado e vicioso modo de agir. Prepara-se uma nova concelhia não escrutinada por ninguém, eleita com meia dúzia de votos arrecadados nos corredores, que há-de fazer de conta que estes resultados desastrosos não aconteceram ou que foram culpa de um qualquer feitiço maligno que obriga os pombalenses a votar no PSD.
Se o PS de Pombal teimar em não se repensar profundamente, não rasgar com a inacção e amadorismo que tem vivenciado, em suma, se o PS de Pombal achar que para comodidade de alguns deve repetir os métodos desastrosos do passado, é evidente que não poderá esperar resultados diferentes. Porque a menoridade a que foi relegado pode sempre ser piorada (e as últimas eleições têm vindo a provar isso mesmo).
Façamos, ao menos, escrutínio público do que por essa casa se vai passando. Porque é também público o interesse num PS forte e credível em Pombal.
Farpas Convidadas: Gabriel Oliveira

A propósito dos resultados eleitorais

Convém relembrar W. Churchill:
“Deve-se olhar para os factos porque eles olham para nós”.

10 de outubro de 2017

Junta de Pombal: histórica, mas pouco



Um certo sabor amargo entranha-se na demanda de Pedro Pimpão, vencedor anunciado das eleições para a Junta de Freguesia de Pombal. Na noite eleitoral, foi o primeiro a cantar vitória, considerando estar perante um "resultado histórico" para o PSD. Na verdade, Pedro, há apenas dois pontos percentuais que separam essa vitória daquela alcançada pela dupla Nascimento Lopes/Manuel Escalhorda há 4 anos...

portanto histórico é mesmo o teu positivismo, a teoria da felicidade aplicada à terra onde tudo é "notável" e "extraordinário", pontuado por esse estranho alheamento de mais de metade da população (a freguesia de Pombal contribui exponencialmente para os nossos números - notáveis, sim - da abstenção, que apesar de tudo, diminuiu 10%)
Feitas as contas, o PSD conseguiu o mesmo número de mandatos que já tinha (7), o PS perde dois dos cinco que tinha, o CDS mantém um, e esse ícone local de seu nome Eduardo Carrasqueira entra para a AF com dois elementos.
O futuro - que é sempre mais, como sabemos, e também não precisa de ser melhor - há-de mostrar-nos a qual dos dois amores Pedro serás mais fiel: se o lugar de deputado na AR, por mais escassos dois anos, se o kit de sobrevivência política que é a Junta de Pombal. A este último, terá muito tempo de fazer adaptação. É que com a maioria absoluta de Diogo na Câmara, cai por terra a ideia de o ver chegar-se ao topo concelhio daqui por 4 anos. Por isso, venham de lá as aplicações para gerir as ementas da escola dos nossos filhos, e a comissão de obras para Manuel Escalhorda. 

9 de outubro de 2017

Crescimento exponencial


Hoje atingimos 2 milhões de visualizações. Com base em algum histórico, é possível verificar que temos tido um crescimento exponencial. A este ritmo, atingiremos as 3 milhões de visualizações antes dos 11 anos. Obrigado a todos!

6 de outubro de 2017

A Oeste, o segundo derrotado

O conde do Oeste foi apeado. É o segundo e último grande derrotado (o primeiro lugar ninguém o tira a Narciso Mota). Do resto, dos que queriam muito ganhar, pouco mais há para assinalar. Sobrará, talvez, o dinossauro da Redinha; mas, convenhamos, não vale a pena relevar o que não tem relevância. E os outros, não perderam - só perde quem quer ganhar.
O conde do Oeste quis muito ganhar. Precisava muito disso para manter status, mordomias, divertimentos e a possibilidade de continuar a educar o povo. A sua derrota é o cisne negro no meio da onda laranja, que nem a “bondade” e a cumplicidade do príncipe, que não se poupou a esforços (9 Milhões de Euros) para manter aquele condado e aquele apoio, conseguiu evitar. E não foi por falta de obra feita: estradas, pontões, passeios pedonais, caminhos florestais, parques de merendas, saneamento, novos serviços, subsídios, eventos culturais, festas, arraiais, etc&tal; foi, simplesmente, pela vontade do povo - e o povo, quando quer, pode muito.
Bem pode o conde clamar injustiça; considerar que “pelos trabalhos realizados e pelos serviços aumentados é de gritante injustiça sermos tão injustamente votados”. Ou o seu ajudante-mentor lamuriar-se por o povo ter interrompido o reinado de “Homem sério, pragmático, capaz, isento, ponderado, empenhado, digno” que reinou “com isenção, equilíbrio, ponderação e empenho, num contexto de grande dificuldade e incompreensão”. O povo não achou isso. Em Democracia, o povo é soberano.
Bem podem - conde e ajudante-mentor - censurar o povo por ter entregado o poder a um rapaz inexperiente, incapaz, insensato; e anunciar, já e publicamente, a desgraça que se avizinha; e os sacrifícios que terão que fazer para “evitar o pior”; que o povo já provou que não se assusta com o demónio. Bem podem esperar sentados por uma redenção, que só Deus e os seus representantes na terra concedem, depois da morte. O povo não esquece, e não costuma absolver os sobranceiros que o tomam por ingrato e ignaro.

Laranja mecânica

Conforme aqui escrevi no início de Agosto, o PSD é a única força política capaz de ganhar eleições em Pombal. Para além do elevado profissionalismo da sua estrutura, os seus protagonistas são, de longe, os políticos mais bem preparados do concelho. Não era, pois, difícil de prever que Narciso Mota não só não ganharia as eleições como seria humilhado. Face a um projecto político esgotado e a uma equipa pouco credível, os Pombalenses não iriam permitir que velho galo voltasse ao poleiro.

O PSD teve uma vitória contundente e, diga-se em abono da verdade, merecida. Com uma máquina poderosa e eficaz, a laranja trucidou todos os seus adversários (até conseguiu pôr o Zappa a dançar ao som da Vânia Marisa). Se a oposição já era débil em Pombal, estes resultados não auguram dias melhores. Nunca o executivo camarário e a Assembleia Municipal foram tão mono-cromáticos!

As hostes do movimento Narciso Mota - Pombal Humano (NMPH) vão aperceber-se rapidamente (se é que já não se aperceberam) da fragilidade do projecto. Totalmente focado na personalidade do seu mentor - que apenas prometeu ser o mesmo  de sempre -, o movimento NMPH é demasiado inconsistente e, por isso mesmo, está condenado a muito breve prazo. Narciso Mota já veio dizer que aceita a vereação (o que só lhe fica bem), mas dificilmente conseguirá manter o compromisso até ao final. A máquina laranja irá fazer tudo para lhe infernizar a vida, muito à semelhança do que ele sempre fez com os seus adversários políticos. Nessa altura, os correligionários do movimento NMPH, órfãos de pai, irão a correr procurar abrigo junto da mãe que renegaram.

4 de outubro de 2017

Adivinhação jurássica

Não era preciso uma bola de cristal para saber que, de facto, isto poderia acontecer. Sicó tinha dois candidatos, considerados dinossáurios da política, que achavam que era simplesmente voltar e que a coisa estava garantida. Narciso até mudou o lema do betão para um lema mais humano, esquecendo-se que apesar do pessoal ter memória curta, os tempos são outros. Já Fernando Marques, e falando de Ansião, pensou igual, contudo nem sequer se deu ao trabalho de mudar o lema. Veio com os clichés do amor pela terra e coisas do género e o resultado foi uma estrondosa derrota, na medida que Ansião mudou de rumo após 4 décadas. É obra! A esta hora ainda deve estar a perceber o que correu mal e a apanhar os cacos do seu ego, que se esbardalhou ao comprido.
Mas comecemos pelo início, onde surge a sui generis jogada de troca de candidatos, saindo Rui Rocha e entrando Fernando Marques. Há uns 2 anos já tinha ouvido, em off, que esta troca iria ocorrer, portanto quando saiu a notícia, de forma oficial, no Jornal Serras de Ansião, há poucos meses, não fiquei minimamente convencido da história que lá vinha. Mais ainda sendo que aquele Jornal tem uma convivência muito próxima com o PSD de Ansião. Ou seja, e dito de outra forma, cantas, mas não me alegras.
Diria que caso esta troca de candidatos não tivesse corrido, a derrota poderia, eventualmente, ter sido evitada. Digo eventualmente porque o vencedor tem todo o mérito, e mais algum, e a vitória não foi simplesmente por demérito do PSD. Mas não, a ambição pouco realista de um dinossáurio da politica acabou por prevalecer, com os resultados agora conhecidos. Além de ter pensado que era garantida a eleição, Fernando Marques não se lembrou de que, tal como em Pombal, apesar do pessoal ter memória curta, os tempos são outros e, diga-se, o pessoal estava farto da coisa. Além disso houve quem, sendo ferrenho do PSD, não gostou da tentativa de regresso às lides de Fernando Marques, já com a imagem muito chamuscada, e, por isso, votou noutras candidaturas ou simplesmente não votou (como se pode ver pela baixa votação no CDS-PP, onde o pessoal poderia ter votado em substituição do voto no PSD).
Esta viragem, em Ansião, é muito positiva para o sistema democrático, já que, tal como a Associação Cívica Transparência e Integridade refere, “a perpetuação de líderes políticos fere a democracia local.
Sem renovação de lideranças não se formam novos quadros capazes de contribuir para o desenvolvimento dos municípios, geram-se Dinâmicas de entropia e falta de dinamismo, acentuam-se os vícios do poder na gestão dos recursos públicos, na prestação de contas e na transparência. Dilui-se o poder da sociedade civil em função da vontade do chefe.” Ou seja, com a eleição de um novo presidente da câmara, quebrou-se um ciclo deste género. E isto é fundamental para o futuro de Ansião e para o futuro dos concelhos limítrofes. Todos ficam a ganhar.
Quanto a Narciso Mota e a Fernando Marques, saíram pela porta pequena, sem glória e com os seus egos do tamanho de um berlinde. E, digo eu, merecem tal feito, pois fizeram por isso!. Podem agora dedicar o seu tempo a uma ou a várias das muitas associações desta nossa região, e às causas que defendem, já que o amor pela terra não é exclusivo da política. O pessoal agradece e, aliás, já lhes mostrou o caminho!
Farpas Convidadas: João Paulo Forte (Blogger: http://www.azinheiragate.blogspot.com/)

CDS, o partido do Sidónio

O CDS é, hoje, o partido do Sidónio; como já o foi do Guardado, do Abreu João, do Pessa, do Falcão... Ao contrario de outros, o CDS tem esta (in)capacidade de mudar frequentemente de figura, mas não muda de registo. Por isso, continua a ser um partido em busca de sentido, de clareza e de afirmação num terreno inóspito para flores de estufa.
O CDS – e não só - padece do mito de Sísifo, uma personagem da mitologia grega que foi condenada a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, cada vez que estava quase a alcançar o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido. A situação só não é idêntica porque o CDS não dá mais que uma volta à pedra, mas continua a executar a sua tarefa, de quatro em quatro anos, sem sentido e sem resultados. Um absurdo, mas o que é a vida, para a maioria, senão isso.
De vez em quando, o CDS - tal como outros – regozija-se por ter conseguido colocar a pedra no primeiro socalco da montanha. Mas mal se descuida, a pedra desliza para o ponto de partida. Foi assim em Abiúl: a uma vitória inesperada seguiu-se uma derrota impiedosa (3%).  
É tempo de os líderes políticos locais, e os candidatos a sê-lo, se consciencializarem que o poder se conquista com estratégia, organização e DISCURSO. O resto é empurrar a pedra.