22 de setembro de 2016

Academia, mas pouco


Os nossos sociais-democratas promoveram nova sessão de homenagem a Mota Pinto. E se, há dois anos, apelidaram a iniciativa de tertúlia, desta vez optaram pela pomposa designação de Academia. Nada contra; cada um escolhe o nome que mais gosta. O que me entristece, mais uma vez, é a opção por limitar os intervenientes à estrita esfera partidária. Será que não há ninguém fora do partido e da família que consiga dizer duas palavritas elogiosas a propósito de tão insigne pombalense?

21 de setembro de 2016

O Orçamento Participativo

A ideia é uma boa ideia: financiar as propostas do cidadão comum, aquele que não lidera uma colectividade nem fez carreira partidária autárquica. Mas a história volátil do Orçamento Participativo em Pombal faz-se mais de oportunismo do que de oportunidades para a sociedade civil. São as colectividades - já abonadas pela Câmara, como em poucos concelhos do país - que têm levado vantagem. De maneira que ver ali no meio do rol deste ano um projecto como este - apresentado por pais de crianças autistas - é uma boa razão para levar o caso a sério e votarmos. A lista está disponível aqui, e a discussão pública decorre esta quinta-feira, 22, pelas 21 horas, no Teatro-Cine de Pombal.

19 de setembro de 2016

O exemplo de Ansião, outra vez

                                                   foto retirada da página do Facebook do PSD/Pombal

O presidente da Câmara de Ansião anunciou estes dias que não se recandidata ao cargo. Fê-lo nas páginas de um jornal local, e embora não seja muito claro a explicar as razões deste abandono prematuro, dá um sinal que devia servir pelo menos para reflexão, a muitos correlegionários. 
Lembro-me de Rui Rocha enquanto adjunto de Fernando Marques, enquanto líder da JSD, e mais tarde enquanto vereador. É discreto, ponderado, e tem uma dose de coragem que aprecio nos políticos, o que faz dele o homem certo na comissão política distrital do PSD, sem folclore.
Não sei se vai ser administrador de alguma empresa, se quer ter a experiência (legítima) da Assembleia da República, mas sei que no vizinho Ansião deixa uma marca, à conta daquele equilíbrio entre o rapaz da terra que faz por ela tudo o que pode, e o político que escapa à propaganda, sabendo que isso da Jota já foi há 20 anos e por isso há um tempo para tudo...
A verdade é que é mais um quadro do PSD em condições de ocupar qualquer lugar fora daqui. E isso não é bom para D. Diogo nem para Pedro Pimpão, em primeiro plano, nem para todo o séquito, em segundo. Mas é bom para o eleitorado.

15 de setembro de 2016

Quando o feitiço se volta contra o feiticeiro

O feitiço é a nova e grandiosa Extensão de Saúde da Guia: um presente envenenado que o príncipe quis ofertar ao Estado e aos súbditos do oeste. Engano seu: o Estado não o agradeceu e a maioria dos súbditos rejeitam-no. Assim, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. O príncipe foi, mais uma vez, pouco astuto: fez o que não lhe competia fazer e arrisca-se a ficar com o odioso da coisa, a ter mais prejuízo que proveito, à porta das eleições
Tanto assim é, que o empreendimento está concluído há muito tempo, mas ninguém lhe quer pegar. Até já foi ocupado clandestinamente, mas, estranhamente, ainda não foi inaugurado. Há muito que os senhores doutores ocuparam os gabinetes do novo empreendimento, e por lá ficaram sem reparo. Recentemente os funcionários administrativos, por não suportarem o efeito de estufa da envidraçada sala de recepção, nos tórridos dias de Agosto, seguiram-lhe o exemplo: pegaram nos computadores e mobiliário e mudaram-se para as novas instalações. Falha deles, que logo chegou à tutela que ordenou o retorno imediato às velhas instalações (nesta terra não são permitidas veleidades à arraia-miúda). Só que, decisões despropositadas e injustas são de implementação difícil; e, apesar de a temperatura ter amainado, os funcionários continuam nas novas instalações.
O príncipe revela muita indecisão; mas, nestas coisas, costuma dizer-se que o perigo está na tardança. E o pior está para vir!

13 de setembro de 2016

Obras benditas que se tornam malditas

As obras necessárias são sempre bem-vindas, se vierem no tempo certo. Não é o caso das obras na Etap e Rua Fernando Pessoa / Escola Marquês de Pombal. Este tipo de obras, dentro das escolas ou na sua periferia, deveriam decorrer no período de férias.

É verdade que a capacidade de planeamento da CMP nunca foi muita, mas parece ter-se agravado. Fazer obras volumosas nas escolas ou na sua periferia durante o arranque do ano lectivo revela uma enorme falta de bom senso, porque colocam em risco a segurança das crianças, pais e transeuntes.

9 de setembro de 2016

De vez em quando lembram-se de Mota Pinto



No princípio, era o busto: várias figuras de Pombal clamaram, durante anos, por uma homenagem a Carlos Alberto Mota Pinto, que aqui nasceu e viveu até à juventude, embora nunca tenha estabelecido com Pombal grande ligação. Depois veio a Junta de Freguesia com um prémio que não passou da primeira edição, e só depois a Câmara decidiu comprar a casa onde nasceu o professor, primeiro-ministro de Portugal em 78/79, fundador do PPD e um dos vultos da memória social-democrata. Depois foi o que está à vista, na casa em frente ao Teatro-Cine de Pombal.
Entretanto, os órgãos locais do partido acabam de criar um evento com o nome do vulto: é a Academia Mota Pinto, descrito na página do facebook como "Um evento de formação e reflexão cívica que se pretende anual". 
Talvez seja mesmo essa a melhor forma de homenagear um pensador. É preciso é que seja consequente, e não à imagem do que têm sido as tentativas falhadas pelos órgãos autárquicos. E por favor, não o tentem transformar numa espécie de universidade de verão.

7 de setembro de 2016

O Dia da Educação: obrigada, Eduardo Sá

                               Foto: Município de Pombal. Retrato da plateia

Nota prévia: Começo este post como os oradores de ontem, no Dia da Educação: a agradecer ao Município de Pombal, o município "Educador", como lhe chama Diogo Mateus numa brochura distribuída aos participantes (educadores de infância e professores do primeiro ciclo), em que divulga ao pormenor os investimentos avultados nos edifícios que albergam as escolas. Mas essa é outra conversa. Participei na sessão enquanto mãe, integrada numa pequena delegação da Associação de Pais de Pombal, em formação, cujos primeiros órgãos sociais hão-de ser eleitos nas próximas semanas, depois do regresso às aulas. Obrigada à Câmara de Pombal por ter convidado Eduardo Sá. Espero que tenham filmado tudo e reproduzam num filme bonitinho, como é costume, porque todos merecem ver e ouvir o que disse.

"Se eu mandasse um bocadinho, convidava o senhor presidente da Câmara a colocar em todas as portas dos jardins de infância de Pombal a frase: Proibido ensinar a Ler e Escrever", disse ontem em Pombal Eduardo Sá, que o Município convidou para palestrar no Dia da Educação - uma operação de charme anual para dar as boas-vindas aos educadores de infância e professores do primeiro ciclo. Nessa altura Diogo Mateus já não estava na sala, mas alguém lho disse, certamente. O que o psicólogo queria dizer é que começa aí o combate contra a criação de "uma linha de jovens tecnocratas, primeiro de fraldas e depois de mochila". Todos iguais, bem comportadinhos, melhores alunos dentro da sala de aula, exemplares no recreio, excelentes na extensa lista de actividades que lhes preenchem os dias e as noites.  "A escola não serve para isso", disse Eduardo Sá, que ali desfiou uma série de verdades incómodas para a esmagadora maioria da plateia. Antes dele, tinham subido ao palco os três directores dos agrupamentos de escolas de Pombal (Fernando Mota) , Gualdim Pais (Sara Rocha) e  Guia (António Duarte). Depois de o ouvirem, tenho a certeza de que alguns guardaram rapidamente os papéis, corados de vergonha. Retive, contudo, a intervenção de Sara Rocha. Regozijou-se com a boa-nova de um jardim infantil que a Câmara vai construir na Gualdim Pais, "porque a escola é muito mais do que a sala de aula". Porque, como tão bem lembrou, "há crianças que ali chegam às 8 da manhã e só vão embora às 19". Mas este é o país em que os adultos reclamam "35 horas semanais para a função pública, enquanto as crianças passam 52 horas na escola", disse Eduardo Sá, ele que teve esperança "que a ASAE olhasse para alguns recreios". Seria bom, sim. Assim como seria boa a sugestão que deixou, de "criar um quadro de honra para os alunos faladores", ou "um quadro de excelência para os que têm uma vida familiar desastrosa e que ainda assim não desistem, contra a escola e contra os pais". Em vez disso, a escola resolve colocá-los de castigo no intervalo, privando-os dele. "Vivemos numa escola mentirosa e batoteira, que segrega os meninos de uma determinada faixa social", notou, certo de que "todas as crianças são geniais e todas têm necessidades educativas especiais", que precisam de brincar, sobretudo. porque "brincar não é uma actividade de fim-de-semana". No fundo, o que o psicólogo diz é tão simples: olhemos para os alunos como crianças, como pessoas, e menos como números da excelência e do sucesso. Não sei o que pensam disto os senhores do EPIS, mas calculo.  Acredito que teríamos uma sociedade muito  melhor, no futuro, se gastássemos menos energias com a ditadura dos trabalhos de casa e mais com actividades que os enriquecessem, pessoalmente. Depois lembro-me de uma reportagem que fiz no mês passado para o DN, e dos números dramáticos sobre a média de idades dos professores em Portugal. Sobre o número crescente de professores com doenças incapacitantes. Como é que queremos uma escola nova sem sangue novo?
E depois há a realidade, que nos apresenta milhares de professores no desemprego, parte de uma geração em que investimos tanto. Não poderia ter sido mais adequada a escolha da música que a jovem Íris foi cantar ao palco, naquela sessão: "Para os braços de minha mãe", esse hino à emigração legada pelos últimos anos de austeridade, que assenta tão bem neste concelho. Provavelmente, essa foi a parte destinada aos pais e encarregados de educação.